Por Juliana Gaidargi em 26/12/2018 em Artigo

Final de ano é época de relembrar o que aconteceu e se preparar para o futuro. Isso tanto no âmbito pessoal quanto no profissional. Por isso, profissionais de tecnologia e gestores de empresas precisam ficar atentos às tendências para o mercado de TI em 2019.

O Gartner Institute sempre realiza um levantamento dessas tendências e destaca as mais promissoras para o ano seguinte. A consultoria acredita que as tendências para o mercado de TI em 2019 serão embasadas em um perfil estratégico. Isso além de contarem com potencial disruptivo e de muito mais volatilidade que o habitual. Inclusive o Gartner estima que muitas delas irão atingir seu ponto de inflexão em cerca de cinco anos.

David Cearley , vice-presidente do Gartner, alega que “A inteligência artificial na automatização das coisas e na inteligência aumentada está sendo usada juntamente à IoT e computação de borda para assegurar a entrega de espaços inteligentes integrados. Esse efeito de múltiplas tendências se unirem a fim de criar oportunidades novas é uma marca registrada das principais tendências tecnológicas estratégicas relacionadas pelo Gartner para 2019”.

AuT (Coisas Autônomas)

A AuT inclui artefatos como robôs, veículos autônomos e drones. Eles utilizam inteligência artificial (AI) para a automatização de funções habitualmente exercidas por humanos. Contudo, sua automação não consiste apenas em modelos de programação rígidos. Pelo contrário. A AuT explora a AI de forma a aprender comportamentos capazes de interagir com o ambiente e pessoas de forma mais natural.

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Inclusive, segundo David Cearley, conforme a AuT se prolifera, existe a possibilidade de uma “mudança de coisas autônomas para coisas inteligentes colaborativas”. Ou seja, um cenário onde múltiplos dispositivos trabalham juntos mesmo sem a participação humana. Um exemplo dado pelo Gartner foi o de um drone capaz de examinar um campo e, ao identificar que este encontra-se pronto para a colheita, desencadear uma colheita autônoma.

Augmented Analytics (Analytics avançado)

O Augmented Analytics é uma parte distinta da área de inteligência aumentada. Ela usa  o machine learning para mudar a forma como o conteúdo analítico se desenvolve. Por isso, o Augmented Analytics tem tudo para se tornar o principal recurso na preparação, gerenciamento e análise de dados. Isso, além do gerenciamento de processos focados em negócios, mineração e plataformas de ciência de dados.

Também é esperado que os insights automatizados das análises aumentadas sejam incorporados em soluções corporativas. Essa medida deverá otimizar a tomada de decisões por parte de todos os funcionários da empresa.

Aplicativos inteligentes e analytics também poderão automatizar serviços por meio do aumento da produtividade humana. Ou seja, a criação de dados poderá ser automatizada. Tal como a descoberta de insights e a troca de informações entre corporações.

Borda potencializada

A computação de borda, ou Edge Computing, consiste em uma área da computação onde o processamento de informações é alocado mais perto de pontos de extremidade. O mesmo acontece com a coleta e entrega de conteúdo. Isso é feito para que o tráfego e a latência sejam reduzidos.

A borda vem sendo impulsionada pela IoT. Além desta, outro impulsionador consiste na necessidade de manter o processamento próximo do final ao invés de em um servidor de nuvem centralizado. Contudo, esse processo não está originando uma nova arquitetura. Na verdade, tanto a computação de borda quanto a computação em nuvem estão evoluindo como modelos complementares. Ou seja, com serviços em nuvem gerenciados como serviços centralizados em servidores distribuídos no local e nos dispositivos de borda.

Conforme o amadurecimento do 5G se aproximar, a computação de borda ganhará comunicação mais robusta para os serviços centralizados. Afinal, o 5G fornece menor latência, uma banda maior e um aumento significativo no número de endpoints.

Gêmeos digitais

Gêmeos digitais consistem em representações digitais de um sistema existente no mundo real. Estima-se que até 2020 existirão mais de 20 bilhões de sensores conectados. Ou seja, existirão bilhões de gêmeos digitais. Conforme as empresas implementam gêmeos digitais, sua capacidade de coleta e visualização de dados corretos melhora. Por isso, elas serão capazes de realizar análises e regras capazes de responder mais efetivamente aos objetivos do negócio.

A evolução dos gêmeos digitais pode ir além da IoT (Internet das Coisas). Afinal, eles poderão ser implementados nas organizações, se tornando DTOs. Estes, por sua vez, consistem em modelos de softwares dinâmicos baseados em dados operacionais. Eles são usados para compreender a forma como uma determinada empresa operacionaliza seu modelo de negócio.

DTO (Data Transfer Object)

Objeto de Transferência de Dados, em português, trata-se de um padrão de projeto de software utilizado para transferir dados entre subsistemas de um programa. DTOs costumam ser usados junto a objetos de acesso de dados para obtenção de informações de um banco de dados.

Além disso, um DTO também é capaz de  se conectar ao estado atual da empresa e implementar recursos de resposta automáticos a mudanças de forma a entregar o valor almejado ao cliente. Ou seja, DTOs auxiliam a potencializar a eficiência eficiência dos processos relacionados ao negócios. Isso, além de desenvolver novos processos mais flexíveis, responsivos e dinâmicos.

Por conta disso, os Gêmeos Digitais são considerados uma solução abrangente e cheia de benefícios. Em especial, no que diz respeito à criação, testes e correções no desenvolvimento de novos itens. Afinal, eles são basicamente uma cópia virtual de processos reais.

Ou seja, um produto criado no mundo físico é igualmente criado no mundo virtual. Com isso, se torna viável a realização de testes e análises antes que o produto chegue ao mercado.

Entre as principais vantagens dos Gêmeos Digitais, destacam-se a redução no tempo de produção, a ampliação da capacidade de adaptação, a redução de custos, um aprimoramento na previsibilidade de ganhos e uma melhora significativa na previsão de riscos e correção de falhas.

Imersão

Atualmente, as realidades virtual, aumentada e mista já mudaram a percepção das pessoas acerca do mundo digital. E essa mudança nos leva ao modelo de experiência imersiva do futuro.

Portanto, é esperado que, em breve, a humanidade pare de focar em dispositivos individuais e se volte a uma experiência multimodal e multicanal. Esta, por sua vez, irá conectar as pessoas ao universo digital através de dispositivos periféricos. Entre eles, os tradicionais computadores, além de wearables, carros e sensores ambientais, por exemplo. Em paralelo, a experiência multicanal investirá em todos os sentidos humano e nos sentidos avançados do computador junto a esses periféricos.

Blockchain

Atualmente, as pessoas consideram instituições bancárias como autoridades centrais detentoras da verdade absoluta. Contudo, essa centralização da confiança acaba gerando atrasos e custos às transações. O blockchain nada mais é do que uma alternativa que elimina a necessidade de autoridades centrais mediarem transações.

O blockchain tem a intenção de revitalizar indústrias por meio da confiança, transparência e redução de custos. Isso tudo, além de mitigar o tempo de liquidação de transações.

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Contudo, as tecnologias vigentes de  blockchain ainda são imaturas. Isso, além de incompreendidas e não comprovadas em operações de grande escala. Ainda assim, os CEOs, devem começar a estudar e a considerar os conceitos de blockchain. Mesmo que eles não tenham a intenção de adotá-los num futuro próximo.

Ética e privacidade digital

Em tempos em que a internet se tornou o segundo lar da maioria da população, a privacidade e a ética digital se tornaram pontos de atenção. Não apenas para entidades governamentais e organizações, mas também para indivíduos. Afinal, cada vez mais, as pessoas se preocupam sobre como seus dados pessoais são usados.

Apesar da privacidade e segurança constituírem pontos fundamentais para se construir confiança em uma marca, esta envolve ainda mais aspectos. Portanto, a posição de uma empresa acerca da privacidade deve ser embasada em seus parâmetros éticos e de confiança. Afinal, ao mudar o discurso de privacidade para ética, demonstra-se que o negócio não está apenas em conformidade, mas sim agindo da forma correta.

Espaço inteligente

Espaços inteligentes consistem em ambientes físicos ou digitais nos quais  seres humanos e sistemas tecnológicos interagem em ecossistemas. Estes tornam-se cada vez mais amplos, coordenados, conectados e inteligentes. Ou seja, nele, múltiplos elementos se juntam a fim de criar uma experiência imersiva, interativa e automatizada.

Essa é uma tendência que vem se intensificando já há algum tempo ao redor de elementos que incluem locais de trabalho digitais. Isso além de cidades e residências inteligentes e fábricas conectadas.

Desenvolvimento orientado por AI (Artificial Intelligence)

Uma das tendências de TI em plena ascensão é a Inteligência Artificial (AI). Como ela trabalha com automação inteligente, deve começar a ser explorada mais ativamente até, no máximo, 2020. A AI atua na criação de dispositivos que simulem a capacidade humana de raciocínio, percepção e resolução de problemas, além da tomada de decisão.

Inteligência artificial

Conhecida em português como AI, essa tecnologia consiste em gerar uma inteligência parecida com a humana, porém em mecanismos ou softwares.

Conforme esse setor for se estabelecendo, um desenvolvedor passará a ter acesso a um ecossistema de algoritmos e modelos de AI. Isso, além de ferramentas de desenvolvimento capazes de integrar recursos e modelos de AI a uma determinada solução. Portanto, estima-se que até 2022 ao menos 40% dos novos projetos de desenvolvimento de aplicativos contarão com co-desenvolvedores de AI na equipe.

Computação quântica

Esta consiste em um tipo de computação que opera no estado quântico de partículas subatômicas. As indústrias automotivas, farmacêuticas, financeiras, militares e de pesquisa são as que mais têm a ganhar com os avanços dessa área.

Isso porque a escalabilidade dos computadores quânticos lhes permite sobressair-se em relação a problemas complexos demais para uma abordagem tradicional. Isso, ou em situações em que os algoritmos tradicionais levaria muito tempo para chegar a uma solução.

DevOps

DevOps consiste em um conjunto de práticas que visa promover agilidade na entrega de softwares com maior qualidade, escalabilidade e estabilidade. Essas práticas incluem a integração e entrega contínuas, além de testes automatizados e transferência de responsabilidades de infraestrutura para as equipes de projetos. que outrora eram atribuições de equipes de operações (infraestrutura).

DevOps

Esse termo descreve um conjunto de práticas que visa integrar equipes de desenvolvimento de softwares, operações (infraestrutura ou sysadmin) e de apoio, tal como adotar processos automatizados para assegurar uma produção rápida e segura de serviços e aplicações.

As ferramentas de DevOps permitem o desenvolvimento, testes automatizados, integração e entregas contínuas. Elas geralmente são integradas e são responsáveis pela construção automatizada, requisições de mudanças, análise de códigos e testes. A cultura de DevOps consiste no empoderamento das equipes de software a fim de aumentar a produtividade.

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Essa metodologia de trabalho viabiliza que projetos de software tenham mais autonomia em relação a tomada de decisões. Isso além de alterar os papéis das equipes de desenvolvimento e operações. Ou seja, profissionais da operação passam a propor soluções para os desenvolvedores. Enquanto isso, estes passam a compreender melhor como a operação trabalha e realizar melhorias.

Resumindo

As principais tendências para o mercado de TI em 2019 incluem:

  • A automação de processos robóticos: Esta pretende mudar a experiência do cliente por meio do machine learning e AI, por exemplo. Com ela, as empresas poderão combinar cenários, melhorar a compreensão e tomar decisões assertivas em tempo real;
  • Aplicativos inteligentes e personalizados: Em 2019 os aplicativos reunirão informações além de alterar suas próprias funções a fim de aprimorar a experiência do usuário. Essa tecnologia poderá aumentar significativamente a produtividade de empresas;
  • Segurança cibernética baseada em nuvem: Os problemas de segurança regulares em 2018 levarão provedores especializados em nuvem a ganhar força ano que vem. Afinal, esses sistemas são construídos com APIs abertas. Ou seja, as equipes podem integrar novas tecnologias à plataforma de maneira rápida e prática. Isso garante que os usuários possam monitorar ameaças e se prevenir;
  • Infraestrutura 100% programável: Conforme as empresas investirem mais em plataformas de nuvem,e las aumentarão também o uso de softwares como o SaaS. A programabilidade de ponta a ponta consiste em uma rápida adaptação a diferentes cenários de negócios;
SaaS (Software as a Service)

Consiste em aplicações online que podem ser usadas em dispositivos, móveis ou não, de forma simples e remota. Ou seja, nesse modelo, o fornecedor do software fica responsável pela disponibilização do sistema de forma que o cliente possa utilizá-lo via internet, pagando uma fee mensal pelo serviço.

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  • Foco em dados: uma das principais tendências para o mercado de TI em 2019 é a transferência de valor real para dados. Isso levará empresas a uma busca constante para incorporação de telemetria, coleta e enriquecimento de dados. Afinal, estes se tornarão a fonte de novos fluxos de receita. Com isso, haverá ainda uma mudança significativa nas arquiteturas de informação.