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Aumento Humano – Importante para os negócios e para a vida

Por Juliana Gaidargi em 12/11/2019 em Negócios

O campo do aumento humano é também chamado de “Humano 2.0”. Ele se concentra na criação de melhorias cognitivas e físicas como parte integrante do corpo humano. Um exemplo é o uso de sistemas de controle ativo para criar próteses de membros com características que podem exceder o desempenho humano natural mais alto.

Aumento HumanoPortanto, o aumento humano é um campo de pesquisa que visa melhorar as habilidades humanas através da medicina ou da tecnologia. Historicamente, isso é alcançado consumindo-se substâncias químicas que melhoram uma habilidade selecionada. Ou, até mesmo, instalando implantes que requerem operações médicas. Contudo, ambos os métodos de aprimoramento são bastante invasivos. Especialmente se considerarmos que as habilidades aumentadas também foram alcançadas com ferramentas externas. 

É o caso de óculos, binóculos, microscópios ou microfones altamente sensíveis. Ou seja, a realidade aumentada e as tecnologias de interação multimodal têm permitido maneiras não invasivas de aumentar o ser humano.

Objetivo 

O intuito deste artigo é discutir esse campo e os termos relacionados. Dessa forma, visamos fornecer definições relevantes com base no entendimento atual do aumento humano. Além disso, o artigo aborda futuras habilidades humanas atingíveis por meio das tecnologias vestíveis

Afinal, elas podem atuar como mediadoras do aumento humano, da mesma maneira que os óculos, uma vez que revolucionaram a visão humana.

Extensões vestíveis não invasivas e fáceis de usar permitirão prolongar a vida ativa dos cidadãos idosos ou apoiar a inclusão total de pessoas com necessidades especiais na sociedade. Entretanto, também existem problemas em potencial. Entre eles, destacam-se questões éticas e sociais. É o caso da privacidade, manipulação social, autonomia e efeitos colaterais, acessibilidade, segurança e equilíbrio e futuro imprevisível.

Vale ressaltar que este artigo consiste na tradução de parte de uma pesquisa apoiada pelas seguintes instituições: Universidade de Tampere, Programa de Desenvolvimento de Pesquisa Estratégica em Interação Humano-Tecnologia; A Agência Finlandesa de Financiamento à Inovação (Tekes), projeto Produção e uso de conteúdo de realidade virtual e aumentada (decisão nº 1444/31/2016); e a Academy of Finland, projeto Augmented Eating Experiences (decisão nº 316804/2018). Ele também engloba outros artigos acerca do tema aumento humano, de forma a fornecer pontos de vista diferentes sobre o assunto.

Tecnologia a favor do humano

Desde a invenção da manipulação direta e das interfaces gráficas do usuário, os desenvolvimentos na principal interação humano-tecnologia têm sido incrementais. Afinal, eles permitem usar as ferramentas de maneiras mais diretas, eficientes e robustas. Entretanto, o modelo subjacente de interação ainda é o mesmo: a noção de que um dispositivo de computação é uma ferramenta. 

Apenas mais recentemente o foco da pesquisa em campo mudou para a interação móvel e difundida. Isso inclui interfaces incorporadas e interfaces de usuário inteligentes. No entanto, ainda existe uma separação clara entre o usuário e o sistema.

No passado, os humanos tinham que se adaptar aos computadores. Contudo, no futuro, os computadores se adaptarão aos humanos. Portanto, usaremos o termo “natural” para nos referirmos à interação que se assemelha à maneira inata pela qual os seres humanos agem e interagem com objetos físicos. É importante definir esse termo devido a interpretações variadas da palavra “natural” na literatura. Afinal, existem várias tecnologias e paradigmas de interface do usuário que visam tornar a interação mais natural e eficiente. 

Aprimoramento humano

Hoje, um usuário pode direcionar um sistema, por exemplo, com fala, gestos, olhar nos olhos ou mesmo através de sinais eletrofisiológicos humanos. O sistema pode adquirir dados através de diferentes sensores e fornecer ao usuário informações através de várias modalidades em tempo real, incluindo apresentações visuais, auditivas e hápticas. Ou seja, cada vez mais, diferentes modalidades de entrada e saída estão sendo combinadas na mesma tarefa. É o caso da notificação auditiva e háptica simultânea de eventos interessantes no ambiente circundante.

Os paradigmas da interface do usuário centrada no homem incluem interfaces perceptivas, realidade aumentada (AR), realidade virtual (VR) e computação ubíqua (termo usado para descrever a onipresença da informática no cotidiano das pessoas). Ou seja, o aumento humano é um paradigma que se baseia em outros paradigmas anteriores. Afinal, ele combina a interação em que a ação humana é o núcleo. Essas ações são suportadas pelo aumento de tecnologias relacionadas à percepção, afetação ou processamento cognitivo do mundo e das informações ao redor do usuário.

O que é, afinal?

Existem alguns termos relacionados intimamente ligados ao aprimoramento humano. Afinal, o aprimoramento humano é um amplo campo que abrange várias disciplinas. Desde engenharia elétrica ou mecânica até engenharia genética. Moore (2008) o define como “qualquer tentativa de superar temporária ou permanentemente as limitações atuais do corpo humano por meios naturais ou artificiais”. 

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“O aprimoramento humano consiste em qualquer tentativa de superar temporária ou permanentemente as limitações atuais do corpo humano por meios naturais ou artificiais” 

Ou seja, consiste no uso de meios tecnológicos para selecionar ou alterar características e capacidades humanas. Isso, independentemente da alteração resultar em características e capacidades que estão além do alcance humano existente. Dessa forma, o aprimoramento humano pode abranger meios e soluções que requerem operações cirúrgicas ou estimulantes. Por exemplo, medicamento que podem ser usados para melhorar o controle da atenção. Entretanto, esses métodos não estão conectados à interação humano-tecnologia. Portanto, não serão aprofundados neste artigo. 

O que é aumento humano?

Aumento humano e conceitos relacionados Augmented Human1 e Human 2.0 referem-se a tecnologias que aumentam a produtividade ou a capacidade humana. Ou, até mesmo que, de alguma forma, aumentam o corpo ou a mente humana. Os modernos avanços na ciência e na tecnologia levaram a uma grande variedade de implantes e outras tecnologias que poderiam ser classificadas como aumento humano. 

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Vale lembrar que “aumento” é o termo mais comum utilizado na comunidade de pesquisa interdisciplinar que se concentra em extensões digitais interativas das habilidades humanas. Há uma série de conferências chamada Augmented Human1 (AH) e uma revista dedicada, Augmented Human Research, que avança nesse campo. Portanto, usaremos o termo aumento humano em detrimento do aprimoramento humano. Afinal, cientificamente, este último não é comumente usado neste contexto.

Um campo em formação

Acontece que o aumento humano como um campo ainda é tão jovem que não existe uma definição comum. Isso, mesmo considerando que o número de artigos e livros sobre o assunto esteja aumentando. Em seu livro intitulado ‘Augmented Human’, Papagiannis (2017) concentra-se principalmente no potencial da realidade aumentada e não oferece definição para o campo. Dessa forma, apresentamos a seguinte definição:

O aumento humano é um campo interdisciplinar que aborda métodos, tecnologias e suas aplicações para aprimorar as habilidades sensoriais, de ação e / ou cognitivas de um ser humano. Isso é alcançado por meio de tecnologias de detecção e atuação, fusão e fissão de informações e métodos de inteligência artificial (IA).

Categorias

O aumento humano pode ainda ser dividido em três categorias principais de aumento:

  1. Os sentidos aumentados (também conhecidos como sentidos aprimorados, sentidos estendidos) são alcançados através da interpretação das informações multissensoriais disponíveis e da apresentação de conteúdo ao humano por meio de sentidos humanos selecionados. As subclasses incluem visão aumentada, audição, sensação háptica, olfato e paladar.
  2. A ação aumentada é alcançada detectando ações humanas e mapeando-as para ações em ambientes locais, remotos ou virtuais. As subclasses incluem aumento motor, força amplificada e movimento, entrada de fala, controles baseados em olhar, teleoperação, presença remota e outros.
  3. A cognição aumentada (também conhecida como cognição aprimorada) é alcançada através da detecção do estado cognitivo humano, usando ferramentas analíticas para interpretá-lo corretamente e adaptando a resposta do computador para atender às necessidades atuais e preditivas do usuário (por exemplo, fornecendo informações armazenadas ou gravadas durante eventos naturais). 
Dispositivos vestíveis

A tecnologia interativa vestível é um componente essencial para permitir o aumento humano. Afinal, oferece uma integração perfeita com o mundo físico e digital ao nosso redor. Portanto, ela pode capacitar o usuário com extensões não invasivas e fáceis de usar. Estas, por sua vez, viabilizam a interação com objetos inteligentes e informações aprimoradas do mundo físico-virtual.

Dessa forma, o aumento humano servirá ao usuário fornecendo informações essenciais e oportunas para as tarefas atuais. Isso, além de filtrar informações desnecessárias. 

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Ou seja, os humanos aumentados podem ter um mordomo digital pessoal, mas muito além do vídeo visionário do Apple Knowledge Navigator (Apple, 1987). Afinal, esse cenário está relacionado à integração humano-computador, que está mais intimamente ligada à cognição aumentada, utilizando recursos de computação e inteligência artificial para apoiar o humano e trabalhar em paralelo com o humano. Com isso, os assistentes de inteligência artificial podem agir em nosso nome, de acordo com nossos padrões e preferências comportamentais, realizando uma série de tarefas simples e complexas com eficiência.

Interação crossmodal

A interação crossmodal permite que as características de uma modalidade sensorial sejam transformadas como estímulos para outra. Isso pode beneficiar pessoas com deficiência e idosos com habilidades sensoriais em deterioração. De acordo com Lacey e Sathian (2015), a interação crossmodal pode ser usada para mediar e criar informações cognitivas. Isso, além de fornecer acesso aos nossos processos espontâneos e sócio-emocionais. 

Dessa forma, a interação entre modelos pode ser um método forte para criar elementos úteis e viáveis ​​do aumento humano. De fato, pesquisadores como Demattè já tentaram avaliar como nosso cérebro realiza interação crossmodal e como pode ser possível expandir ainda mais os limites nas respostas cognitivas espontâneas, bem como nos cenários socioemocionais.

Vários outros conceitos e modelos em ciência da computação, como computação onipresente, interfaces perceptivas do usuário, computação vestível, realidade aumentada, agentes virtuais, dispositivos conectados, robôs e integração humano-computador também podem fornecer projetos para o futuro do aumento humano. Afinal, todos os conceitos e modelos têm um escopo ligeiramente diferente um do outro. No entanto, todos eles se concentram em diferentes aspectos e características do mesmo futuro humano aumentado.

Aumento humano: passado e presente

Existem exemplos de diferentes abordagens em:

  • Sentidos aumentados;
  • Ação aumentada;
  • Cognição aumentada.

Portanto, buscamos familiarizar o leitor com métodos, sistemas e experimentos que mostram tanto o amplo potencial quanto a variedade de disciplinas envolvidas nesse campo.

Sentidos aumentados

Os sentidos aumentados usam métodos e tecnologias para compensar deficiências sensoriais (principalmente visuais e auditivas). Entretanto, também pode ser usado para exceder as capacidades dos sentidos existentes. No primeiro caso, os sinais sensoriais para os sentidos prejudicados são amplificados significativamente ou suplementados por outros sentidos saudáveis. Por exemplo, os atuadores hápticos podem ser usados ​​para descrever o ambiente para uma pessoa cega ou sinais de fala para uma pessoa surda. 

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No segundo caso, os sentidos humanos são aumentados usando sensores adicionais para observar sinais além das capacidades sensoriais humanas normais. Ou seja, transformando-os em um formato adequado para uso humano. Muitas tecnologias podem aumentar os sentidos humanos além de seus limites naturais. Sensores de luz ou câmeras minúsculas podem dar “olhos de águia” ou visão noturna ao usuário, ou até ir muito além dos comprimentos de onda da visão humana. Um exemplo clássico é o uso da “visão de raios-x” para observar objetos ocluídos.

Exemplos:
Visão

Outros exemplos de emocionantes tecnologias de aumento incluem, por exemplo, “olhos hápticos”. Estes permitem ao usuário sentir o que a câmera vê. Também existem os “olhos auxiliados” que aprimoram as habilidades cognitivas dos usuários. Ou seja, que identificam e combinam automaticamente objetos visualizados atualmente com informações salvas anteriormente. 

As extensões espectrais permitem aos seres humanos ver além do espectro de luz visível ou ouvir sons sub ou supersônicos. Esses sensores e câmeras podem ser incorporados em óculos de proteção anti-UV. As câmeras de luz infravermelha próxima (IR) e ultravioleta (UV) podem expandir a gama de sentidos humanos. Além disso, eles são muito baratos. As modernas câmeras infravermelhas térmicas também podem ser de baixo custo e extremamente pequenas. Isso é maravilhoso, considerando que abrem possibilidades intrigantes para várias aplicações. É o caso da capacidade de ver na escuridão total sem iluminação. As aplicações de segurança dentro e fora de veículos, escritórios ou residências também são aplicações em potencial para esses sensores.

Audição

Exemplos de audição aumentada são fones de ouvido inteligentes, ou “audíveis”. Afinal, eles aprimoram a experiência auditiva e as habilidades naturais. Contudo, esses “acessórios para o ouvido” não apenas mitigam a perda auditiva e melhoram a audição em ambientes ruidosos. Mas também podem catalisar a super audição. Eles podem ajudar a filtrar o ruído, discriminar sons ou transpor a frequência do som para um nível mais fácil de se perceber. Além disso, a tecnologia de audição inteligente pode aprimorar o senso espacial ou ajudar a focar no som proveniente de uma direção específica.

Não obstante, sons do mundo real podem ser aumentados por elementos sonoros virtuais, criando uma experiência sonora híbrida e um ambiente sonoro personalizado. Devido à proximidade dos vasos sanguíneos no ouvido, o fone de ouvido pode incorporar sensores adicionais para medir sinais fisiológicos. Isso melhora ainda mais sua utilidade em relação, por exemplo, a aplicativos relacionados à saúde e esportes.

Olfato

O olfato aumentado pode ser alcançado medindo ou produzindo aromas. Afinal, tecnologias de ponta podem medir aromas indetectáveis ​​pelo sistema de olfação humano. Isso é interessante por melhorar a capacidade de “cheirar” substâncias perigosas. Ou seja, a combinação de tecnologias de medição de odor e algoritmos de inteligência artificial (IA) pode alcançar a precisão da detecção de odor além da capacidade olfativa humana. 

Não obstante, o olfato humano também pode ser aumentado pela produção de odores artificiais. E vale ressaltar que o aumento do odor pode adicionar experiências agradáveis, por exemplo, à realidade virtual.

Paladar

Abordagens semelhantes foram desenvolvidas para aumentar o sentido do paladar. Sensores que podem identificar qualquer sabor dado como doce, salgado, amargo e azedo são relativamente fáceis de construir. No entanto, a produção de sensações gustativas se provou difícil. Afinal, está intimamente relacionada ao olfato e, em parte, também é uma experiência pessoal. Embora tenham sido propostos atuadores elétricos para estimular o paladar na língua, eles não ganharam popularidade. Principalmente, as sensações aumentadas do paladar concentram-se no sabor. Ou seja, pistas olfativas são usadas para transmitir uma ilusão de paladar.

Próteses sensoriais

Os sentidos aumentados também podem permitir a substituição sensorial ou prótese sensorial. Nela, as informações de um sentido podem ser mediadas por um sentido diferente. Isso poderia ser feito comparando as modalidades tátil e de áudio. Isso auxiliaria o movimento e a navegação em ambientes de baixa visão. Um capacete tátil pode ser usado para mediar informações, além da visão e da audição, para melhorar o controle. Mais importante, em ambientes extremos, como no espaço, no fundo do oceano ou em prédios em chamas, a capacidade dos sensores de trabalhar em condições adversas é essencial.

Outras técnicas para a construção de sentidos aumentados incluem sensores projetados para usos específicos. É o caso de câmeras para luz muito fraca ou para espectro não visível. Sensores auditivos ou de vibração em dispositivos móveis e matrizes de sensor em grande escala, como redes de sensores remotos que transmitem continuamente ambientes sistemas de informação e posicionamento global para rastrear movimentos de objetos e indivíduos também se encaixam nesse tipo. 

Integração

A integração dessas redes com redes de sensores distribuídos, como sistemas inteligentes de tráfego e fontes de informações específicas de locais, pode aumentar nossa conscientização sobre o mundo ao redor. Afinal, não importa que tipo de sensor esteja sendo usado ou qual seja sua configuração. A detecção aumentada tem o potencial de aumentar a acuidade visual, a recepção auditiva, o limiar de olfação, a percepção gustativa e a sensação háptica além das atuais habilidades humanas naturais. 

No entanto, com a adição de todos esses sensores, a quantidade de várias informações sensoriais aumentará exponencialmente. Portanto, será crítico como essas informações são processadas e apresentadas ao usuário individualmente com referência ao seu contexto, tarefa e necessidade geral ao longo do tempo. .

Cognição aumentada

A cognição aumentada é uma forma de interação humano-tecnologia. Nela, é alcançado um forte acoplamento entre um usuário e um computador por meio de detecção fisiológica e neurofisiológica do estado cognitivo do usuário. Ou seja, ela integra as informações detectadas pelo usuário para adaptar a entrada do computador e atender às necessidades do usuário. 

Dessa forma, é criado um loop fechado entre o usuário e a interface tecnológica. Desde o início, a cognição aumentada tem sido um campo multidisciplinar de pesquisa. Este combina conhecimentos da psicologia cognitiva, neurociência, ciência da computação e engenharia.

O objetivo final desse campo de pesquisa é estender as habilidades cognitivas do usuário e criar perfeitamente uma cognição aumentada funcional. Ou seja, que possa ser facilmente usada para superar e acomodar gargalos, limitações e preconceitos na cognição humana e no processamento de informações. Além disso, Schmorrow argumenta que a cognição aumentada pode apoiar:

  • O processamento de informações humanas relacionadas à memória sensorial. Por exemplo, aprimorando a percepção sensorial;
  • Memória de trabalho. Ou seja, suportando o processamento simultâneo de dados de várias fontes;
  • Atenção. Por meio do direcionamento da atenção, por exemplo;
  • Função executiva. Direcionando a recuperação de informações anteriores para que as informações recebidas possam ser interpretadas da melhor maneira possível. 

Além disso, otimizar a carga cognitiva do usuário ao interagir com um computador é comumente visto como uma tarefa central para a cognição aumentada (por exemplo, De Greef et al., 2007).

Memória estendida

As habilidades cognitivas aumentadas incluem memória estendida e conhecimento praticamente ilimitado. Isso pode ser conseguido usando uma rede centralizada para permitir a cognição estendida. Inclusive, a cognição aumentada já foi usada para monitorar a saúde, ajudar pacientes que sofrem de lesões cerebrais leves e melhorar o aprendizado e a memória. Ou seja, ferramentas como registro de vida podem ser benéficas para a cognição aumentada.

Entretanto, para alcançar uma relação verdadeiramente simbiótica entre a cognição humana e o computador, os métodos unimodais descritos acima não são suficientes. Ao invés disso, são necessárias medições multidimensionais. Ou seja, várias tecnologias precisam ser combinadas para rastrear diferentes aspectos do funcionamento cognitivo e emocional humano. 

Exemplo:

Por exemplo, combinando medidas da atividade do sistema nervoso autônomo, como atividade cardíaca e taxa de respiração, com rastreamento ocular, já foi possível aumentar a complexidade da tarefa com base no aprendizado individual e estimar a carga de trabalho cognitiva.

Estudos sugerem ainda que, em um caso ideal, os métodos utilizados para detectar o estado do usuário devem ser discretos. Eles observam que atualmente a tecnologia requer o desenvolvimento de meios multimodais para detectar um estado humano. Afinal, dessa forma  dispositivos e ferramentas de análise poderão ser otimizados para trabalhar fora do laboratório. Por exemplo, dispositivos vestíveis e desenvolvendo kits de ferramentas para interpretar os dados.

Adaptação biocibernética

Assim, em casos reais de usuários, várias fontes de dados precisam ser integradas e interpretadas para que a resposta do sistema funcione em tempo real e seja sensível ao contexto.  Para tornar o loop entre o usuário e o computador sem problemas, a adaptação biocibernética e métodos semelhantes podem ser considerados. 

Isso também significa que é necessário desenvolver modelos matemáticos para entender a cognição aumentada. Afinal, somente assim a inteligência artificial poderá ser usada para processar grandes quantidades de dados de sensores para usar a IA e detectar o estado afetivo do usuário crucial para a aprendizagem.

Finalmente, um objetivo de longo prazo na interação humano-tecnologia é usar o conhecimento da cognição humana para construir máquinas que possam pensar como seres humanos. Estudos sugerem que a inteligência aumentada por híbridos pode levar a cognição muito além das habilidades humanas. 

Ou seja, diferentemente da implementação atual dos sistemas de IA, a inteligência aumentada por híbridos não requer grandes tamanhos de amostra de dados ou modelagem e evolução extensas de dados. Ao contrário, a utilização de um modelo inteligente de estruturação de dados, combinando cognição humana com aprendizado de máquina ou criando estruturas de software e hardware que imitem o funcionamento do próprio cérebro humano, pode ser aprimorada. 

Portanto, mesmo que esse tipo de computação ainda esteja em sua infância, esses sistemas podem um dia melhorar a segurança, a confiabilidade e a previsibilidade de sistemas complexos de tomada de decisão dinâmica. Esses sistemas também têm a vantagem de replicar o pensamento humano. Ou seja, de expandir verdadeiramente a cognição humana.

Visão para o futuro

Saber identificar diferentes partes e conexões de um sistema humano aumentado e vestível é essencial. Portanto,  seguem exemplos de como sentidos, ação e cognição humanos aumentados afetarão a humanidade.

Um modelo para aumento vestível

Há uma quantidade extensa de pesquisas relacionadas a esse respeito. No entanto, no aumento humano está faltando arquiteturas e modelos que integram contribuições individuais. É o caso de uma abordagem holística que poderia ser usada como base para aplicações práticas. A seguir, apresentamos um modelo de aumento vestível. Ou seja, o aumento dos sentidos, ação e cognição humanos por meio da tecnologia vestível. 

O ponto de partida é que a tecnologia aprimora as habilidades humanas diretamente. Ou seja, não através de uma ferramenta externa que é manipulada através de uma interface. A interação deve estar o mais próximo possível da ação humana real. Isso leva à necessidade de rastrear atividades humanas usadas como insumos para o sistema de aumento.

Tecnologias facilitadoras

As tecnologias facilitadoras propostas para o aumento vestível são as seguintes:

  • Tecnologias de detecção: Elas detectam o ambiente, objetos e eventos. Isso inclui reconhecimento de padrões e outros métodos de visão computacional, sensores auditivos, sensores espaciais, térmicos e de movimento, câmeras multiespectrais e sensores de toque, olfativos e gustativos.
  • Tecnologias de apresentação multissensorial: Estas dão suporte à atenção, memória e percepção. Isso é obtido por meio de óculos multimodais leves de realidade mista, apresentação de informações entre modelos e acessórios que podem ser usados. Portanto, aplica-se a diferentes sentidos humanos. Ou seja, visão, audição, tato, olfação e gustação como canais para mediar a detecção aumentada e o feedback sobre ações aumentadas.
  • Tecnologias de medição de atividade humana: Elas são baseadas em diferentes sensores vestíveis. Portanto, as atividades humanas são reconhecidas como entradas por reconhecimento de fala, rastreamento de atividades motoras, rastreamento de olhos e entrada de força e toque. Ou seja, baseadas nessas informações de baixo nível, as atividades humanas são modeladas em um nível superior.
  • Tecnologias de atuação: Estas são usadas para afetar o meio ambiente, conforme indicado pelo ser humano. Isso inclui diferentes tipos de displays visuais, equipamentos de áudio, atuadores hápticos, além de geradores de cheiro e sabor. 
  • Serviços de informação onipresentes e tecnologias de inteligência artificial: Estes fornecerão acesso a serviços de informações em rede, internet das coisas e suporte à inteligência artificial. Ou seja, permitirão o desenvolvimento de extensões personalizadas de IA capazes de ajudar a suportar autonomamente uma variedade de tarefas.

Novo paradigma

O aumento humano é um novo paradigma da interface do usuário que mescla e expande muitos dos antigos paradigmas. Afinal, nosso modelo de aumento vestível altera o mundo real além da interação aumentada. Inúmeros sensores e dados na nuvem fornecem informações, a inteligência artificial as filtra e as apresenta de maneiras fáceis de entender. Tudo para apoiar a cognição humana em tempo hábil. Além disso, ferramentas ou robôs físicos permitem ação e alterações no ambiente.

Portanto, nota-se que o aumento humano não significa focar no individualismo. Inclusive, humanos aumentados podem estar mais conscientes uns dos outros. por conta disso, podem ter uma conexão próxima com algo parecido a uma conexão direta com o cérebro. Na melhor das hipóteses, outras pessoas são trazidas para perto de nós, independentemente de onde estão localizadas fisicamente. Na pior das hipóteses, privacidade e autonomia podem estar ameaçadas. 

Uma realidade

O aumento humano já está sendo realizado, passo a passo. Está se tornando melhor, menor e mais barato ao longo do caminho. Contudo, a visão do aumento humano vestível ainda não foi concretizada, mesmo que já existam muitas peças necessárias de tecnologia. 

Afinal, ele extrai elementos de campos como AR, VR, computação onipresente, IA e tecnologias de detecção. Contudo, os funde e os leva muito mais longe. Na prática, a pesquisa proposta se baseará em pesquisas estabelecidas sobre tecnologias de interação. 

A realização dessa visão exigirá pesquisa, pelo menos nas seguintes áreas:

Paradigma:

A definição de um paradigma de interação geral e metáforas que permitam se beneficiar de sentidos aumentados, ação e habilidades cognitivas. Essa mudança de paradigma exigirá pesquisa exploratória de mente aberta na interação humano-tecnologia.

Tecnologia:

Realizar pesquisas sobre tecnologias de detecção e atuação. Isso, além de apresentação crossmodal de informações, inteligência artificial, modelagem de contexto e integração de informações multimodais e multissensoriais.

Pesquisa experimental:

Conduzir pesquisa básica experimental sobre como os humanos podem utilizar sentidos aumentados, ação e mecanismos cognitivos. Ou seja, validando o paradigma, metáforas, técnicas de interação e métodos de apresentação de informações que estão sendo utilizados.

Pesquisa aplicada:

Empregar tecnologias humanas aumentadas em sistemas e aplicativos cotidianos. Além disso, realizar estudos de campo utilizando soluções na vida real. Coletar diretrizes para permitir a ampla utilização das tecnologias na ciência e na prática também é importante.

Teoria e modelos:

Construir uma base para a teoria do aumento humano vestível com base em pesquisas experimentais. Modelar diferentes aspectos de sentidos aumentados, ação e cognição. Modelar dinâmica de aplicação dessas tecnologias em sistemas interativos.

Ética e pesquisa social:

Estudar o que significa a evolução dos seres humanos através de tecnologias de aumento. Inclui aspectos éticos relacionados à disponibilidade e uso de tais tecnologias, como preocupações com igualdade, uso indevido e vantagem competitiva injusta.

Em resumo, as áreas 1 a 5 tratam do estabelecimento de uma base tecnológica para o aumento humano vestível. Tudo de maneira a utilizar o conhecimento e as opiniões de todos os interessados ​​na comunidade de pesquisa. No entanto, o desenvolvimento tecnológico e a pesquisa não devem ser realizados isoladamente sem considerar os aspectos éticos, sociais e filosóficos do aumento humano. Portanto, atitudes em relação ao aumento humano precisam ser levadas em consideração para criar uma tecnologia de aumento aceita pela sociedade e pelos indivíduos.

Produtos de aumento humano

Desde os primórdios da humanidade, os seres humanos têm se esforçado para fazer mais. Empurre limites, quebre limites e vá além dos recursos existentes. Para romper essas barreiras, os humanos aumentaram-se com pedras, paus, facas, óculos, sapatos, calculadoras e computadores. Portanto, há uma necessidade humana intrínseca de ampliar as habilidades de nossos corpos. Vemos essa aspiração em nossos quadrinhos e filmes de super-heróis, onde o protagonista possui poderes super-humanos. Características estas desejadas pela maioria das crianças e muitos adultos.

Contudo, para avançar para o próximo nível de capacidades, a integração entre humano e tecnologia se mostra cada vez mais necessária. Será a próxima geração de inovações – realidade aumentada / realidade virtual, exoesqueletos energizados, implantes invitro, interfaces cérebro-máquina, drogas para melhorar o desempenho e edição de genes – que ampliarão as capacidades humanas para o próximo nível e forjarão verdadeiramente o humano aumentado.

Hype Cycle

No entanto, essas inovações, até o momento, não tiveram as taxas de adoção ou sucessos comerciais esperados. Ou seja, já passaram pelo ciclo de hype clássico do Gartner. Após um pico inicial de expectativas infladas e alguma adoção em aplicativos de nicho, esses dispositivos ainda não mostraram adoção em massa. 

As soluções de realidade virtual, como o Facebook Oculus ou o HTC Vive, ainda são relegadas principalmente à indústria de jogos. Os exoesqueletos acionados como os criados por Exobionics e Cyberdyne ainda são muito caros e pesados ​​para a maioria dos consumidores. Portanto, são relegados principalmente para aplicações de reabilitação de nicho. O Google Glass, lançado com enormes expectativas de adoção em massa, atualmente não é mais vendido no mercado consumidor. 

As ferramentas de edição de genes, como o CRISPR, ainda estão nos estágios iniciais de desenvolvimento e devem superar barreiras. É o caso da incapacidade da tecnologia de se vincular a um local específico no genoma e a falta de precisão de corte, entre outras.

Nova fase

Portanto, pode-se afirmar que essa fase inicial do ciclo de hype chegou ao seu fim. Afinal, os produtos de segunda e terceira geração foram financiados e desenvolvidos, apelando a adotantes mais amplos. Dessa forma, é chegado o momento em que essa inclinação de iluminação ou otimismo em breve culmine em uma adoção de alto crescimento. 

Por exemplo, mais usuários corporativos estão começando a adotar a realidade virtual. Provavelmente mais conteúdo será lançado nos próximos anos com a queda dos preços do hardware. Contudo, será a próxima geração de muitos desses produtos que realmente estimularão uma maior adoção. É o caso de dispositivos não conectados com funcionalidade completa.

Os exoesqueletos motorizados da parte superior do corpo agora estão sendo usados ​​nas fábricas para melhorar a produtividade do trabalhador. Isso, além de reduzir lesões repetitivas. O Google Glass agora está direcionado com mais sucesso ao setor empresarial, incluindo assistência médica, entretenimento e energia. Já as novas ferramentas precisas de edição de genes (Precision Biosciences) prometem ofuscar seus primos de primeira geração.

Problemas relacionados a usuários individuais

Privacidade

As novas tecnologias de aumento humano geralmente são desenvolvidas por grandes organizações. Isso significa que a coleta de enormes quantidades de dados dos usuários, a publicidade, a promoção do interesse da organização e a obtenção de lucro com eles têm efeitos sobre a ética nesse campo. 

À medida que as tecnologias de interação se tornam cada vez mais difundidas e invasivas, a propriedade dos dados coletados, o acesso de terceiros aos dados e a regulamentação da criação de conteúdo se torna um problema significativo. Por exemplo, a cognição aumentada permite a coleta de informações do cérebro. Contudo, isso viola a privacidade de maneira inimaginável em comparação às tecnologias atuais. 

Além disso, a assistência à memória, como registros de vida, pode criar uma situação em que as informações nunca são esquecidas. É fácil imaginar como os sistemas que registram e analisam eventos, pessoas e locais usando texto, áudio e material visual criam uma situação em que o acesso a esses dados sensíveis e seu controle podem ser prejudiciais para os indivíduos. 

Isto é especialmente verdade se não houver possibilidade de apagar os dados registrados. Como grandes quantidades de dados muito pessoais e detalhados são coletadas por diferentes sensores e fontes de dados, os procedimentos de manipulação de dados e a privacidade são importantes.

Manipulação social

As tecnologias aumentadas são, por natureza, muito difundidas. Portanto, pode ser extremamente difícil distinguir entre eventos reais e irreais. Dessa forma, a manipulação sutil pode ser impossível de detectar e suprimir. 

Ou seja, as tecnologias de detecção aumentada podem ser facilmente programadas para conter informações erradas. Interfaces cérebro-computador ainda mais invasivas e outras aplicações de neurotecnologia podem superar a estimulação sensorial. Com isso, podem criar um potencial de manipulação. 

As técnicas contemporâneas de inteligência artificial já podem ser usadas para criar informações visuais e auditivas fabricadas. Entretanto, isso põe em risco a credibilidade das informações. Por exemplo, como experiências sensoriais aumentadas podem ser criadas por uma grande empresa, o criador da tecnologia tem o poder de controlar o que o usuário vê ou ouve. Mesmo que isso pareça uma preocupação irrelevante, oferece o potencial de manipular o usuário por meio de experiências sensoriais aumentadas e difundidas, semelhantes às da vida.

Autonomia e efeitos colaterais

Em relação à autonomia, uma ameaça comum é uma situação relacionada à sobrecarga sensorial. Afinal, nela as informações não são mais processadas com eficiência. Também existem preocupações relacionadas à autonomia e responsabilidade do paciente em caso de acidente. Especialmente quando as tecnologias são utilizadas, por exemplo, por pacientes que sofrem de doenças neurodegenerativas. 

Estudos recentes observaram que a capacidade de compartilhar uma experiência sensorial como o campo visual de uma pessoa é uma ameaça válida à autonomia. Afinal, as preocupações éticas mais complexas surgem da cognição aumentada. 

Portanto, implantes especialmente neurotecnológicos e estimulantes químicos podem ser extremamente prejudiciais ao usuário. Tanto devido aos efeitos colaterais quanto à sociedade em termos de criação de um potencial de terrorismo.

Acessibilidade

O acesso universal é um problema sério quando estão sendo desenvolvidas tecnologias capazes de exceder as habilidades naturais dos seres humanos. Na maioria das vezes, a razão por trás da inclusão das novas tecnologias é simplesmente o custo. No entanto, as tecnologias podem ser inacessíveis para grupos de usuários especiais, como deficientes auditivos ou idosos. 

Os sentidos aumentados, em geral, podem ser vistos principalmente criando impactos positivos para as pessoas que precisam de assistência sensorial. No entanto, o grupo que mais se beneficia dos sentidos aumentados é muito diverso. 

Enquanto no outro extremo do continuum há jovens millennials que podem sofrer, por exemplo, problemas de audição, mas usam dispositivos e assistência tecnológica sem problemas, outros grupos como idosos com deficiência auditiva podem sofrer de problemas, mesmo usando aplicativos simples de smartphone. Para os idosos, o potencial de novas tecnologias cria facilmente um conflito entre uma necessidade real e a combinação de independência, dignidade e privacidade. 

Pontos de atenção

Ou seja, a ação aumentada pode trazer preocupações um pouco semelhantes aos sentidos aumentados. Novamente, a diversidade de pessoas que mais se beneficiam das tecnologias pode criar desafios insuportáveis ​​para os designers. Afinal, o acesso universal é a questão social mais estudada no campo das tecnologias aumentadas. Por exemplo, o uso de tecnologias de aprimoramento para aumentar as habilidades de alguém e excluir alguns grupos fora de benefícios semelhantes pode ameaçar a igualdade na sociedade.

Contudo, as novas tecnologias usadas para o controle social não são um grande problema no governo benevolente. Afinal, também são benéficas ao erradicar o terrorismo, chamar imediatamente uma ambulância quando necessário etc. Ainda assim, podem se tornar uma caixa de Pandora. 

Talvez também as boas sociedades degenerem em fascismo de direita ou esquerda após a próxima uma grande recessão ou guerra. Portanto, não são necessariamente apenas os governos que tentam controlar seus subservientes. Uma visão igualmente sombria seria que as mídias sociais e os gigantes das TIC poderiam tentar influenciar eleições, leis, políticas, hábitos de compra ou visões de mundo, ou agarrando campos de poder selecionados dos governos. No entanto, as grandes empresas e governos de tecnologia não são concorrentes, mas colaboradores. Afinal, eles têm muitos interesses em comum.

Futuro imprevisível

Alguns dos efeitos de novas tecnologias estão diretamente relacionados à economia. Sabe-se que ação aumentada, sensoriamento e inteligência artificial são capazes de reduzir a necessidade de força de trabalho humana. Ou seja, uma grande quantidade de população pode enfrentar o desemprego. 

Contudo, o efeito será maior entre as pessoas que trabalham com tarefas rotineiras e não trabalhadores sem instrução. Estes, por sua vez, já estão preocupados com seu futuro. Portanto, no geral, parece que a tecnologia pode aumentar a disparidade na vida profissional. Em contrapartida, a humanidade passou por muitas tecnologias disruptivas e dominou a todas. É o caso dos motores a vapor, eletricidade, industrialização, tratores, carros, energia atômica e automação.

Entretanto, a divisão digital na população e outras questões relacionadas são bastante complexas. Afinal, os efeitos potenciais são questões bastante sérias e não devem ser negligenciados ao adaptar novas tecnologias nos locais de trabalho ou em nossas vidas pessoais.

Ação

Já em ação aumentada, preocupações éticas estão intimamente relacionadas ao design de interação. As regras sobre como agir em realidades compartilhadas, virtuais ou aumentadas usando movimentos e ações motoras aumentadas estão no ponto principal da implementação ética bem-sucedida desse campo de pesquisa. O que os usuários, avatares e robôs podem fazer? Como eles podem manipular seus arredores? Eles são capazes, por exemplo, de violência?

Felizmente, a cognição aumentada está criando uma situação em que a humanidade está dando um grande salto adiante. Contudo, é preciso entender que a cognição humana, assim como as funções cerebrais ou as redes neurais artificiais que imitam e ajudam a cognição, não são totalmente compreendidas.

Exemplo

O exemplo a seguir pode ser usado para ilustrar esse ponto: 

O EEG mede a atividade cerebral e um algoritmo de IA analisa os dados para fazer interpretações do estado do usuário. No entanto, a atividade do EEG pode ser resultado de vários processos cognitivos. 

Além disso, os métodos de IA têm suas limitações. Portanto, quando grandes quantidades de dados estão sendo processadas, pode ser impossível entender por que o método de IA faz uma previsão específica. 

Sem levar a sério essas restrições, perdemos a capacidade de planejar os efeitos potenciais que a cognição aumentada pode ter sobre os indivíduos e a sociedade. No geral, parece que nesse campo serão necessárias políticas públicas e regulamentação adequada.

Bio-aprimoramento

Finalmente, no campo do bio-aprimoramento e manipulação genética, os efeitos do aumento humano para as gerações futuras são desconhecidos. Um estudo de 2010 de Firmino e Duarte observa que a vida urbana como tal será revolucionada pela digitalização. Afinal, o controle do espaço e do movimento é fundamentalmente alterado.

Soluções para mitigar problemas éticos

Todas as questões éticas levantadas no campo da interação humano-tecnologia podem ser superadas com a criação de:

  • Diretrizes;
  • Normas e leis internacionais para garantir privacidade, segurança, igualdade;
  • Melhores designs para interfaces de usuário. 

Abordagens inclusivas também podem ser úteis na solução desses problemas. Por exemplo, a necessidade de controlar a privacidade de dados pessoais já é reconhecida no Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) da União Europeia. Da mesma forma, pode-se notar que as questões de desigualdade social eram uma preocupação quando os smartphones foram introduzidos. Contudo, hoje em dia, os menos abastados também os usam e se beneficiam da tecnologia.

Portanto, ao estender as habilidades humanas além de seus limites naturais, é possível mudar fundamentalmente a sociedade para melhor ou para pior. A história mostra que qualquer tecnologia pode e será usada tanto para o bem quanto para o mal. Dessa forma, ao considerar questões éticas antes de implementar novas soluções técnicas para aumentar os seres humanos, pode-se imaginar como usá-las para criar um futuro melhor e igualitário para todos.

Conclusão

Os seres humanos sempre se esforçaram para melhorar suas habilidades naturais. Essa necessidade de evoluir moldou o desenvolvimento humano e o que significa ser humano. No entanto, a evolução natural gradual pode em breve recuar. Especialmente à medida que os seres humanos assumem o controle de seu próprio futuro. 

Nós, como espécie, agora somos mais capazes de alterar e melhorar a nós mesmos do que nunca. A necessidade de ser mais forte, mais rápido e mais inteligente contribuiu para um grande número de desenvolvimentos científicos. 

Portanto, um grande número de tecnologias, desde terapia genética até anexos de exoesqueleto e de interfaces cérebro-computador, até ter todo o repositório global de informações na ponta dos dedos pode em breve melhorar e alterar nossas habilidades. Algumas dessas tecnologias ainda estão na infância e precisam amadurecer com o tempo. No entanto, muitas tecnologias já podem ser integradas para aumentar as principais habilidades humanas.

No momento, a maioria dessas tecnologias é usada independentemente, com pouca ou nenhuma fusão. Conforme demonstrado, a criação de um sistema vestível inteligente e integrado é o próximo passo essencial na progressão do aumento humano. Afinal, as tecnologias outrora diversificadas com casos de uso variáveis ​​agora estão se unindo em uma estrutura robusta. E esta estabelece as bases para o humano aumentado do futuro. 

Esse avanço revolucionará o significado de ser humano. No entanto, devido a questões éticas relacionadas a esse aprimoramento, a regulamentação, normas e diretrizes internacionais são essenciais para garantir a privacidade, o acesso universal, etc. a essas tecnologias. Afinal, a tecnologia de aumento não deve apenas melhorar o bem-estar e a qualidade de vida de um indivíduo. Ela deve ter efeitos positivos na comunidade e na sociedade.

 “Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia” – Sir Arthur C. Clarke, inventor escritor de ficção científica britânico

O aumento humano é um dos campos em que avanços recentes têm um claro potencial para tornar isso realidade. Afinal, tecnologias de aumento vestíveis e métodos de interação relacionados oferecem uma excelente oportunidade para perceber as possibilidades da ciência e tecnologia modernas, beneficiando a humanidade de maneiras sem precedentes.

Fontes:

ScienceDirect

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